segunda-feira, 6 de julho de 2009

domingo, 5 de julho de 2009

A GUERRA DE TRÓIA


A grande guerra de Tróia começou quando Páris, o jovem filho de Príamo, rei de Tróia, raptou Helena, mulher de Menelau, rei de Esparta. Helena era a mulher mais bela do Mundo, e filha de Zeus.


Muitos reis gregos e os seus melhores guerreiros fizeram uma aliança e seguiram com os seus exércitos para vencer Tróia e levar Helena. E assim começou a guerra.

A história desta campanha em massa é bastante complicada. Até os deuses tomaram partido, alguns ajudando os Gregos, outros os Troianos. Mas foram os nomes dos grandes chefes que chegaram até nós nas lendas e na literatura da Grécia antiga.

O comandante dos exércitos gregos era o poderoso Agamémnon, rei de Micenas, irmão de Menelau, marido de Helena. Individualmente, o maior guerreiro dos gregos foi Aquiles. Entre os que reuniram os seus próprios exércitos para resgatar Helena e a honra grega, encontravam-se Diomedes, cujos soldados eram homens de Argos e de Tirinto, e Ájax, comandante dos Lócrios. Pátroclo, amigo de Aquiles, e o esperto Ulisses, que se juntaram mais tarde à guerra, também desempenham papel importante na história.

Os Troianos eram governados por Príamo, rei de Tróia, mas, como ele era demasiado velho para combater, o exército de defesa ficou sob o comando do filho mais velho, Heitor. Um ramo mais novo da família era representado por Eneias, filho de Afrodite. Durante a mais importante destes foi Pentesileia, rainha das Amazonas, Sarpédon e Glauco, chefes dos Lícios, e Reso, da Trácia do Norte.

Tróia ficava situada num pequeno planalto do país da Frigia, na Ásia Menor, do outro lado do mar Egeu, em frente à Grécia. Estendia-se na sua frente uma vasta planície, e à distância podiam ver-se as águas estreitas do Helesponto.

Aquiles era o maior dos guerreiros gregos. A mãe era a nereida Tétis e quis torná-lo imortal como ela e invulnerável. Para isso fez uma longa viagem com o filho até ao Mundo Inferior, e mergulhou-o nas águas mansas do Estige, segurando-o pelo calcanhar, e assim o calcanhar ficou seco e continuou vulnerável. Depois foi ao monte Pélion e entregou-o aos cuidados do centauro Quíron, que tinha treinado tantos heróis do passado.



Quando Tétis ouviu contar que Helena tinha sido levada para Tróia, ficou muito preocupada, e foi logo ao monte Pélion. Mas a notícia já lá tinha chegado, e encontrou Aquiles a preparar-se para partir. Lançou-lhe um feitiço, vestido com trajes de mulher e navegou com ele até à ilha de Squiro, apresentando-o ao rei Licomedes como sua filha. E deixou-o aos cuidados do rei. Entretanto, os reis e príncipes gregos juntavam-se em Áulis com os seus exércitos. Enquanto os exércitos se iam juntando, os navios que os deviam conduzir a Tróia navegavam desde as ilhas e das cidades costeiras para o continente grego.

Ulisses de Ítaca hesitava em se juntar à expedição, porque se tinha casado apenas havia um ano e não queria deixar a mulher e o filho. Por fim, tudo ficou pronto em Áulis. Os soldados entraram para os navios, e desfraldaram-se as velas brancas. Lentamente, a armada saiu da baía e navegou sobre o vasto mar Egeu a caminho de Tróia.

Ao princípio, a expedição parecia condenada à derrota. Levantou-se um forte vento e grandes tempestades sacudiram os navios que ficaram praticamente destruídos, com suas velas rasgadas ou perdidas e seus mastros quebrados. Os remadores estavam exaustos e muitos dos víveres tinham-se estragado com a água do mar. Era evidente que a expedição não podia seguir naquelas condições, e não houve outro remédio senão voltar à Grécia para consertar os navios.

Havia outra razão para voltar atrás. Durante a tempestade, Agamémnon lembrara-se de que o adivinho Calcas lhe dissera que Tróia não cairia enquanto Aquiles não estivesse entre os guerreiros gregos. Quando o exército chegou a Áulis são e salvo, Agamémnon mandou procurar Aquiles. Por fim correu a notícia de que ele estava em Squiro, a viver como uma rapariga no palácio de Licomedes.

Por um estratagema de Ulisses, conseguiram encontrar Aquiles, que despiu de boa vontade os trajes de mulher, e começou a reunir o seu exército. Assim que o exército de Aquiles ficou reunido e partiram todos da Tessália, a armada grega saiu novamente do porto. E desta vez a viagem foi calma.


Assim que chegaram à praia, as tripulações saltaram para a água baixa sob uma chuva de setas, lanças e pedras lançadas pelos troianos. Depois os troianos recolheram-se às muralhas da cidade, e dali ficaram a observar os exércitos gregos estabelecerem o seu acampamento, desembarcar as provisões, os cavalos e os carros de guerra.

Travada então a primeira batalha da guerra e a vitória coube a Agamémnon. Mas com uma batalha não se vence uma guerra. Para evitar sangue, Menelau mandou um emissário ao rei Príamo, desafiando Páris para combater com ele até à morte, em combate singular. Se Menelau ganhasse, Helena voltaria para ele. Se perdesse, morreria honrosamente, e Páris ganharia Helena num combate justo. Fosse como fosse, os exércitos gregos voltariam à pátria e Tróia ficaria em paz.


Páris aceitou o desafio. E combateram os dois encarniçadamente junto às portas da cidade. Por fim, urna enorme estocada feriu Páris na coxa, fazendo-o cair no chão. Antes que Menelau tivesse tempo de dar o golpe final, os soldados troianos saíram da cidade, rodearam Páris e levaram-no são e salvo. As grandes portas fecharam-se atrás deles e Menelau voltou furioso para o acampamento grego. Embora a própria Tróia recusasse render-se, os gregos devastavam muitas vezes as regiões e cidades vizinhas leais à capital troiana.

Assim como arranjar alimentos para o seu exército, os Gregos queriam cortar todos os fornecimentos de água e comida para a própria Tróia. Se as forças troianas pudessem ser completamente isoladas e passassem bastante fome, depressa ficariam demasiado fracas para combater. Depois viria a rendição. Os soldados gregos tentaram por todos os meios guardar as saídas da cidade, mas as tropas de assalto troianas ainda conseguiam chegar às linhas inimigas durante a noite, o que se devia ao pleno conhecimento da região.

Um dia Aquiles conduzia uma expedição para roubar gado através do rio Escamandro no sitio do vale do Monte Ida, a certa distância de Tróia. Dirigia-se com os seus homens para a cidade de Lirnesso, a oeste. Passavam cautelosamente pelas águas baixas do rio para evitar que as sentinelas da cidade os vissem e os perseguissem e atacaram Lirnesso de surpresa, deixando a cidade arrasada.


Com o saque de guerra trazido por Aquiles e os seus soldados, vinham duas jovens cuja beleza rivalizava com a da própria Afrodite. Seus nomes eram Criseis e Briseis. Como chefe de todos os exércitos, Agamêmnon, tinha direito à primeira divisão dos saques, e escolheu a bela Criseis para ser sua escrava.

Pouco tempo depois disto, espalhou-se pelo acampamento uma estranha doença. Tornava-se pior de dia para dia, até que os homens já estavam tão fracos que não podiam combater e morreram muitos nas suas tendas. Agamémnon chamou um adivinho e pediu-lhe conselho.

- “Ó Grande rei,” - disse o velho – “Esta de que fizeste tua escrava é uma sacerdotisa de Apolo. Na sua fúria, ele mandou esta peste ao teu acampamento.”

- “Como podemos remediar o mal?” Perguntou Agamêmnon.

O adivinho disse-lhe que devia mandar Criseis imediatamente para o seu templo com presentes e sacrifícios feitos ao deus Apolo. Agamémnon não teve outro remédio senão obedecer, e ordenou imediatamente a Aquiles que lhe desse a outra jovem, Briseis. Aquiles recusou-se, mas, quando Agamémnon o nomeou seu comandante, foi obrigado a obedecer. E voltou furioso à sua tenda, jurando que nem ele nem nenhum dos seus homens tomariam mais parte na guerra enquanto Agamémnon não lhe devolvesse Briseis e lhe pedisse desculpa.

A notícia desta desavença chegou imediatamente a Tróia. Os soldados de Príamo tomaram coragem. Novos aliados tinham chegado recentemente para os ajudar, e todos juntos fariam um ataque-surpresa às linhas gregas, empurrando-as para o mar e para lá das muralhas de madeira que tinham construído ao longo da praia. O último homem a abandonar as barricadas foi Ájax, comandante dos Lócrios. Deixou muitos mortos atrás de si, mas, embora fosse ele o herói do dia, os gregos tinham sofrido uma cruel derrota.

Pátrocles, o melhor amigo de Aquiles, tentou persuadi-lo a não ficar fechado na tenda como uma criança amuada.

- “Não saio daqui enquanto Agamémnon não vier ter comigo e me pedir desculpa!” - respondeu Aquiles.

- “Muito bem” - disse Pátrocles - “Então vou levar a tua armadura e usá-la no campo de batalha, para os troianos julgarem que voltastes a ter juízo.”

Pegando então o capacete de Aquiles, o escudo, a espada e a lança e saiu furioso da tenda.

No dia seguinte, os gregos voltaram todos às barricadas, e os troianos viram com receio a figura imponente de Aquiles à frente dos soldados e, atemorizados, voltaram imediatamente para dentro das muralhas da cidade, embora o seu chefe Heitor os mandasse permanecerem firmes em suas posições. Os gregos, então, rechaçaram impiedosamente o ataque dos troianos. Quando chegou às portas da cidade, Heitor, sozinho, barrou-lhe a passagem. Mas nessa altura Pátrocles perdera o capacete de Aquiles e já não podia continuar a esconder a sua verdadeira identidade. Cansado de tão violenta batalha, não conseguiu combater com Heitor. Depois de apenas alguns golpes de espada, o valente amigo de Aquiles caía morto.

A toda a velocidade, um mensageiro grego correu à tenda de Aquiles para o avisar. Quando ouviu o que tinha acontecido, o grande guerreiro pôs-se de pé e saiu desesperado da tenda.

Na manhã seguinte, os troianos saíram novamente e deu-se outra grande batalha. A morte de Pátrocles enchera o coração de Aquiles de um ódio invencível contra todos os troianos, ódio maior ainda por saber que fora ele o principal causador da morte de Pátrocles.

Perante o ataque de Aquiles e dos seus homens, os troianos recuaram, e mais uma vez combateram em volta das muralhas da cidade. Começava a parecer que desta vez os gregos acabariam por vencer, mas as portas da cidade fecharam-se uma a uma sobre os soldados troianos que batiam em retirada. Apenas a porta principal ficou aberta, defendida até ao fim por Heitor. Como de costume, Heitor conduzira os troianos com enorme coragem durante todo o dia, mas, desta vez, nem ele mesmo conseguiu evitar a derrota.


Aquiles viu-o do seu carro e atirou a lança com toda a força. O golpe teria feito derrubar as próprias muralhas de Tróia, e Heitor caiu com uma enorme ferida no pescoço.

- “Assim morrerão todos os cães!” - gritou Aquiles, saltando para o chão e avançando de espada erguida para o homem caído. Mas Heitor já estava morto quando ele chegou.


Ainda possuído pela raiva, Aquiles amarrou os pés de Heitor com uma corda e o prendeu à traseira do carro, arrastando por três vezes ao redor das muralhas de Tróia aquele que tinha sido o mais honrado dos filhos de Príamo.

Tal procedimento para com um inimigo vencido chocou até mesmo os amigos de Aquiles, e trouxe novos receios ao exército grego.

- “Deixem-no como pasto dos abutres” - disse ele com secura. – “Amanhã veremos apenas os seus ossos.”

Ao amanhecer, o rei Príamo olhou do alto das muralhas e viu o corpo do filho ainda na planície exposto aos primeiros raios do Sol. Disfarçou-se e conseguiu chegar até ao acampamento grego sem que ninguém desconfiasse e quando adentrou na tenda de Aquiles, revelou quem era e entregou-se à vontade do chefe grego, suplicando-lhe:

- “Por favor, deixa-me levar meu filho Heitor comigo para a cidade de Tróia, a fim de poder dar-lhe um funeral próprio para ele possa seguir em paz até os Eliseos.”

- “Podes levar o teu filho,” - disse ele – “mas tens que me dar o peso dele em ouro.”


Príamo concordou e fizeram-se tréguas durante aqueles 7 dias, que seria o tempo necessário para as preparações e rituais do funeral.

Foi trazida de Tróia uma enorme balança e colocada junto da muralha. Os gregos puseram o corpo de Heitor num dos pratos da balança enquanto os troianos colocavam montes de ouro no outro prato. Mas a cidade estava empobrecida devido à prolongada guerra e o ouro trazido não era suficiente para equilibrar a balança. Até que a irmã de Heitor, Polixena, quando viu o pai afastar-se de Aquiles, tirou imediatamente do pescoço um pesado colar de ouro e atirou-o para a balança. Com mais este peso, o prato desceu e ficou equilibrado com o outro.

Nas semanas que se seguiram, Aquiles descobriu que se apaixonara por Polixena e mandou dizer a Príamo que, se pudesse ter Polixena como esposa, a guerra terminaria. O rei troiano ficou radiante.

Todavia Paris temia que, se a guerra acabasse, fosse forçado a devolver Helena ao marido. E quando Aquiles se aproximou da cidade, em termos de paz, lançou-lhe uma seta envenenada. A seta atingiu Aquiles no calcanhar, causando sua morte. Os calcanhares foram justamente por onde sua mãe Tétis o segurara tantos anos antes para o mergulhar no rio Estige ao pedir aos deuses que lhe desse o dom da vida eterna, sendo a única parte do seu corpo que não havia sido banhado pelo rio, ficando vulnerável.

Naquele dia a batalha foi mais renhida do que nunca, e continuou ainda mais violenta pelos dias seguintes parecendo que não teria mais fim. Em uma certa manhã, os troianos olharam através da planície e verificaram com espanto que os invasores tinham desaparecido. Não se via nada, a não ser os restos dos acampamentos.


Em frente à porta principal da cidade, sobre uma plataforma com rodas mal talhadas, havia um gigantesco cavalo de madeira e, num dos flancos, os troianos descobriram uma inscrição que dedicava o cavalo à deusa Atena e pedia o regresso calmo dos exércitos gregos à pátria.

Cautelosamente, os troianos inspecionaram o cavalo e acabaram por acreditar que não passava de uma oferenda à deusa Athena , não oferecendo nenhum perigo, então resolveram levá-lo para dentro da cidade, onde poderia ficar como recordação da sua inesperada vitória sobre os gregos. Amarraram fortes cordas na base do cavalo e levaram-no pelas ruas até uma vasta praça junto do palácio.

Chegou a noite e fez-se uma festa em Tróia. Dançou-se e cantou-se em volta do cavalo de madeira. Já se passara muito da meia-noite quando o último noctívago adormeceu. junto das portas da cidade, os guardas dormiam também, cheios de vinho. Quando, por fim, tudo sossegou, uma porta disfarçada na barriga do enorme cavalo abriu-se sem ruído. Cinqüenta dos guerreiros gregos mais audazes saltaram para o chão. Alguns deles correram imediatamente para as portas, outros se dirigiram ao palácio real. O plano do esperto Ulisses tinha resultado tal como ele previra.

Enquanto os troianos prestavam honras ao cavalo, a armada grega que tinha se escondido na enseada de uma ilha próxima, aguardava. Assim que anoiteceu, os gregos voltaram com toda a cautela e, quando os soldados que estavam dentro da cidade tinham matado os guardas troianos adormecidos, o exército grego juntou-se na planície. Com o inimigo no interior da cidade, os troianos estavam perdidos.

Apanhados de surpresa, essa foi a sua última batalha. Antes de amanhecer, a cidade caíra nas mãos dos gregos. Muitos dos maiores guerreiros troianos foram mortos e suas mulheres e filhos levados como escravos. Quanto a Helena, causadora dos dez anos de guerra e da morte de tantos heróis, voltou mais uma vez para a Grécia, para junto do marido.

A história da guerra de Tróia é também a história dos últimos heróis gregos. Muitos não sobreviveram aos dez longos anos de cerco. Os poucos que voltaram à Grécia verificaram que outros governavam em seu lugar.

domingo, 19 de abril de 2009

A ODISSÉIA DE ULISSES


A Odisséia de Homero é a maior epopéia escrita pelos gregos. Trata-se de um poema em verso e prosa, uma exaltação do povo grego ao herói mortal Ulisses - também conhecido como Odisseu. Acredita-se que essa epopéia tenha acontecido entre os séculos XII e VIII a.C.

A GUERRA DE TRÓIA


Este incidente histórico começou quando o lendário rei Menelau e seu irmão Agamênon convocaram todos os reis e nobres da Grécia para ajudá-los a montar uma expedição contra Tróia. Gregos e troianos entraram em guerra por causa do rapto da princesa Helena de Tróia, esposa do rei Menelau, por Paris, filho do rei Príamo de Tróia. Isto ocorreu quando o príncipe troiano foi à Esparta, em missão diplomática, e acabou apaixonando-se por Helena. O rapto deixou Menelau enfurecido, fazendo com que este organiza-se um poderoso exército.


Agamênon era o líder da força grega e rei de Atenas, enquanto seu irmão mais velho, Menelau, era rei de Esparta. Após a convocação, os heróis gregos afluíram de todos os cantos do continente e das ilhas para o porto de Áulis, o ponto de reunião a partir do qual planejavam velejar através do Egeu até Tróia.

Alguns dos heróis foram a Áulis mais facilmente do que outros. Ulisses, que conhecia a profecia de que se fosse a Tróia não retornaria antes de vinte anos, fingiu loucura quando Menelau e Agamênon chegaram para convocá-lo. Porém, a farsa de Ulisses foi revelada quando uma criança foi colocada propositalmente à frente de seus cavalos em uma corrida de bigas.

Completamente senhor de suas sanidades, o primeiro reflexo foi salvar a criança, caindo assim a máscara de sua farça.


O motivo pelo qual Ulisses não intencionava lutar na Guerra de Tróia era simples:

segundo a profecia, ele passaria dez anos lutando em Tróia e por outros dez anos singraria os oceanos, naufragando, acabando por ficar desprovido de todos os seus companheiros, freqüentemente com a vida por um fio, até que no vigésimo ano chegaria novamente às praias de sua terra natal, a ilha rochosa de Ítaca, onde seu filho Telêmaco e sua esposa Penélope o esperavam.


A grande força grega, cujos maiores heróis eram Agamênon, Menelau, Ulisses e Aquiles, estava pronta para partir. E assim foi. No sétimo ano de guerra, os troianos tinham fugido da matança de Aquiles e buscado refúgio atrás de suas muralhas, mas Hector permaneceu fora dos portões, deliberadamente esperando pelo duelo que sabia ter que enfrentar.

Quando Aquiles finalmente surgiu, Hector foi tomado de compreensível terror e virou-se para fugir. Percorreram três voltas ao redor das muralhas de Tróia antes que Hector parasse e destemidamente enfrentasse seu bravo oponente.
A lança de Aquiles alojou-se na garganta de Hector, caindo este ao chão.


Mal podendo falar, Hector pediu a Aquiles que permitisse que seu corpo fosse resgatado após sua morte, mas Aquiles estando furioso, negou seu apelo e começou a sujeitar seu corpo a grandes indignidades. Primeiro o arrastou pelos calcanhares atrás de sua biga, ao redor das muralhas da cidade, para que toda Tróia pudesse ver. A seguir levou o corpo de volta ao acampamento grego, onde este ficou jogado sem cuidados em choupanas.


Após a morte de Hector, um grande número de aliados veio ao auxílio dos troianos, incluindo as Amazonas e os Etíopes. Todos foram mortos por Aquiles, mas ele sempre soube que estava destinado a morrer em Tróia, longe de sua terra natal.

Príamo, pai de Hector, pede ajuda às Ninfas do Mar e a Posêidon, querendo saber o ponto fraco de Aquiles e descobre que a mãe sua mãe, Tétis, quis tornar seu filho imortal e quando este era ainda um bebê, levou-o ao Mundo Inferior e o submergiu nas águas do rio Estige; isto tornou seu corpo imune aos ferimentos, exceto pelo calcanhar, o qual ela utilizou para segurá-lo, justamente onde foi atingido pela flecha lançada do arco de Príamo.


Após a morte de seu maior campeão, os gregos recorreram à astúcia nos seus esforços de capturar Tróia, que tinha agüentado seu cerco por dez longos anos. Ulisses teve a idéia de construir um cavalo de madeira para ser ofertado aos troianos, como símbolo de sua rendição. Ao ficar pronto, um grupo composto pelos gregos mais corajosos, incluindo Ulisses, entrou no cavalo e rumaram a Tróia.

O cavalo de madeira foi ofertado a Príamo por Euríloco, um grego que fingia trair seu povo em troca de perdão. Laocoon, que considerado adivinho em Tróia, alertou que o presente era uma armadilha. Disse ainda que os troianos não deveriam confiar no presente dos gregos.

Logo em seguida as serpentes de Posêidon o enlaçaram e estrangularam. Com este augúrio, os troianos não hesitaram mais e começaram a mover o grande cavalo para dentro de suas muralhas, derrubando suas fortificações de modo a poder fazê-lo entrar.


Ao cair da noite, os heróis que estavam confinados dentro do cavalo, estando pronta a cena para o saque de Tróia, saíram de seu esconderijo e começaram a matança. Os homens lutaram desesperadamente, resolvidos a vender caro suas vidas, horrorizados pela visão de suas mulheres e filhos sendo arrancados de seus refúgios para serem mortos ou aprisionados. Mais deplorável foi a morte de Príamo, assassinado no altar de seu parque por Neoptólemo, filho de Aquiles.


Ao findar a batalha, Ulisses chega a beira mar e desafia os deuses dizendo: "Viram, deuses do mar e do céu, eu conquistei Tróia. Eu, Ulisses, um mortal de carne e osso, de sangue e mente. Não preciso de vocês agora. Posso fazer qualquer coisa".

Posêidon, sentindo-se ofendido pergunta o porquê de estar sendo desafiado e lembra de que sua ajuda foi crucial ao mandar suas serpentes matar Laocoon, só assim o cavalo pôde ser introduzido em Tróia.


Irado por Ulisses recusar-se a agradecer e por sua arrogância, Posêidon diz que os homens não são nada sem os deuses e o condena a vagar para sempre em suas águas e nunca mais voltar a costa de Ítaca.

Ulisses não se arrepende e diz que nada nunca o deterá.



O REGRESSO

Para retornar à sua cidade, a frota de barcos de Ulisses seguiu Agamenon, outro valente guerreiro grego, mas uma tempestade os separou e Ulisses foi parar no país dos cicônios, que eram amigos dos troianos. Eles atacaram o barco de Ulisses, mas foram derrotados. De todos os habitantes somente um, o sacerdote Máron, se tornou amigo de Ulisses e na sua partida lhe deu doze jarrões de um vinho doce e forte.

A segunda parada de Ulisses foi numa ilha que ficava no norte da África. Eles foram bem-recebidos pelos moradores, chamados lotófagos, que ofereceram uma planta chamada lótus para os visitantes comerem. A flor de lótus era mágica e tirava a memória das pessoas que a comiam. Os companheiros de Ulisses gostaram tanto dessa planta que esqueceram sua pátria; alguns até tiveram que ser levados à força para os barcos.




A ILHA DOS CICLOPES

A parada seguinte de Ulisses foi numa ilha habitada pelos ciclopes, gigantes com apenas um olho na testa que devoravam pessoas que chegavam por engano em suas terras.

Os ciclopes eram uma raça de fortes gigantes de um só olho, que ocupavam uma fértil região onde o solo gerava abundantes plantações por conta própria, fornecendo um pasto farto para as gordas ovelhas.

Ansioso para encontrar os habitantes de tal terra, Ulisses direcionou o navio para o porto e, desembarcando, dirigiu-se juntamente com a tripulação à caverna do ciclope Polifemo, um filho de Posêidon.

O ciclope não e estava em sua caverna, fora cuidar de suas ovelhas. Assim, Ulisses e a tripulação ficaram à vontade, até que ele retornou com o seu rebanho ao crepúsculo.

Ulisses desembarcou nessa ilha com doze companheiros. Como ele não sabia quem eram os moradores daquelas terras, levou também um pouco do vinho que ganhou de Máron.

Ao chegar na ilha, entraram em uma caverna e ficaram surpresos ao encontrar uma enorme quantidade de queijo e leite. Apesar de estarem com pressa de voltar ao barco, decidiram ficar um pouco. O que Ulisses e seus companheiros não esperavam é que Polifemo, voltasse tão cedo com suas ovelhas.

Quando Polifemo entrou na caverna e viu os invasores, ficou tão bravo que logo avisou que comeria um por dia. Ulisses, então, tentando acalmar Polifemo, ofereceu-lhe vinho. O ciclope não conhecia essa bebida e gostou muito. Polifemo perguntou a ele qual era seu nome, e o herói, muito esperto, respondeu: “Meu nome é Ninguém”.

Por ter gostado da bebida, o ciclope avisou que comeria Ninguém por último e, em seguida, tomou mais uma taça de vinho, ficando com muito sono.
Antes de dormir, no entanto, Polifemo teve o cuidado de fechar a entrada de sua caverna com uma pedra que só um gigante como ele poderia retirar.

Ulisses e seus companheiros, então, começaram a planejar uma fuga, e o herói teve a idéia de espetar o único olho do gigante Polifemo com um tronco. Feito isso, o ciclope acordou gritando de dor e logo seus amigos gigantes chegaram na entrada da caverna para lhe socorrer.

Os ciclopes perguntaram: “O que aconteceu?”, e Polifemo respondeu: “Ninguém me machucou”. E eles perguntaram de novo: “Mas quem machucou você?” E Polifemo respondeu de novo: “Ninguém”. Os outros ciclopes pensaram que Polifemo estivesse ficando louco e foram embora.

Sem enxergar, Polifemo começou a tatear e apalpar pelos cantos da caverna, mas não conseguiu pegar os visitantes. O ciclope tinha que soltar as ovelhas para pastar, mas não queria deixar os gregos fugirem, por isso tirou a pedra da entrada e deixou as ovelhas saírem uma por uma, enquanto ia passando a mão sobre elas para ver se algum dos prisioneiros não tentava escapar.

Ulisses, muito inteligente, falou para seus amigos se agarrarem ao pêlo das ovelhas na parte de baixo de sua barriga, já que elas eram ovelhas gigantes como os próprios ciclopes. Dessa forma, mesmo passando a mão sobre as ovelhas, o ciclope não percebeu que os gregos estavam fugindo. Assim, eles conseguiram chegar ao barco.

Mas o pobre Ulisses não sabia que Polifemo era filho de Posêidon, deus dos mares e oceanos, que ficou muito chateado pelo que Ulisses fez ao seu filho e resolveu complicar sua viagem de volta para casa.

Ulisses reuniu-se ao restante da esquadra e, enquanto os marinheiros que pranteavam os companheiros perdidos, consolaram-se com as próprias ovelhas que tinham auxiliado sua fuga da caverna.




A ILHA DE ÉOLO

Da Ilha do Ciclope, Ulisses velejou até chegar à ilha flutuante de Eólia, cujo rei, Éolo, tinha recebido de Zeus o poder sobre todos os ventos.

Éolo recebeu Ulisses e sua tripulação de maneira hospitaleira e, ao chegar a hora da partida, Éolo deu a Ulisses uma bolsa de couro na qual tinha aprisionado todos os ventos tempestuosos; a seguir, invocou uma boa brisa para o oeste que levaria os navios a salvo para casa, em Ítaca.

Eles velejaram no curso por nove dias e estavam à vista de Ítaca quando o desastre os atingiu. Ulisses, que tinha ficado acordado durante toda a jornada segurando o leme do barco, caiu num sono exausto, e sua tripulação, não sabendo o que havia na bolsa de couro, instigados por Ânticlos começaram a suspeitar que continha um valioso tesouro que Éolo teria dado a ele. Ficaram enciumados, sentindo que tinham enfrentado as situações difíceis com Ulisses, devendo também compartilhar suas recompensas: acabaram por abrir a bolsa e acidentalmente libertaram os ventos do leste, que os manteria bem longe de Ítaca. Ulisses acordou no meio de uma medonha tempestade, que soprou o navio de volta a Eólia.

Desta vez a recepção dada a Ulisses e a seus companheiros foi bastante diferente. Eles pediram que Éolo lhes desse uma nova chance, mas, este declarando que Ulisses devia ser um homem odiado pelos deuses, negou-se terminantemente a ajudá-los, mandando embora Ulisses e seus companheiros.




A ILHA DE CIRCE

Num estado considerável de pesar e depressão, Ulisses e seus companheiro sobreviventes do terrível desfecho causado pela curiosidade, viram-se na ilha de Aca.
Desembarcando, permaneceram deitados dois dias e duas noites na praia, completamente exaustos pelos seus esforços, desmoralizados pelos horrores que tinham passado e sem comida ou água.

No terceiro dia, alguns homens comandados por Euríloco, saíram para fazer o reconhecimento da área e chegaram ao palácio que existia no alto de uma montanha. Do lado de fora haviam lobos e leões, que cabriolavam e faziam festa aos homens; eram de fato seres humanos que tinham sido transformados em animais pela feiticeira Circe, cujo lindo canto podia ser escutado do exterior da casa.

Circe era esposa de Baco, uma poderosa bruxa, que seduzia com seu canto e beleza, os homens famintos que ali chegavam oferecendo-lhes vinho e mel. Quando os homens de Ulisses gritaram para chamar sua atenção, ela saiu e os convidou-os a entrar; apenas Euríloco, suspeitando de algum truque, permaneceu do lado de fora.

Circe ofereceu comida aos homens, no qual continha uma droga que os faria esquecer de sua terra natal; quando terminaram de comer, os tocou com sua varinha e os transformou em animais, apesar de infelizmente lembrarem quem realmente eram.

Em pânico, Euríloco voltou correndo ao navio para relatar o desaparecimento de seus companheiros. Ulisses ordenou que o levasse de volta à casa de Circe, mas ele se recusou. Ulisses partiu só para o resgate.

No caminho através da ilha, encontrou Hermes. O deus deu-lhe uma planta mágica, a qual, misturada com a comida de Circe, seria um antídoto para sua droga; também o instruiu como lidar com a feiticeira: quando Circe o tocasse com sua varinha, deveria avançar sobre ela como que para matá-la; ela então recuaria com medo e o convidaria a compartilhar de sua cama. Deveria concordar com isso, mas deveria fazê-la jurar solenemente a não tentar truques enquanto estivesse vulnerável.

Os fatos se passaram como Hermes tinha previsto. Após terem ido para a cama, Circe banhou Ulisses e o vestiu com roupas finas, lhe preparou um suntuoso banquete, mas Ulisses sentou-se numa abstração silenciosa, recusando toda a atenção. Circe acabou lhe perguntando o que estava errado, e disse-lhe que ela não poderia esperar que estivesse de corpo e alma na festa enquanto metade de sua tripulação transformara-se em animais. Então Circe libertou os novos animais e os untou com ungüento mágico.

Seus pêlos rijos caíram e se tornaram novamente homens. Circe sugeriu que deveriam chamar o restante de sua companhia para que se juntassem à eles. Ficaram com Circe por cinco anos, comendo, bebendo e se divertindo, esquecendo os percalços que tinham passado.



O MUNDO INFERIOR DE HADES
Ulisses foi lembrado por alguns dos companheiros que talvez fosse tempo de se pensar em Ítaca. Circe avisou-o que antes de zarpar para casa deveria primeiro visitar o Mundo Inferior (ou reino dos mortos) para consultar o profeta Tirésias: apenas Tirésias poderia dar-lhe instruções para seu retorno.

Assim, ele velejou com seu navio através do Rio de Oceano. Ele levava um carneiro para oferecer a Tirésias. Quando esse apareceu, disse-lhe que havia uma boa possibilidade para seu retorno a salvo para casa, desde que seguisse a constelação de Órion.

Mesmo para o valente Ulisses, ir até o mundo dos mortos era uma tarefa assustadora. Utilizando uma passagem que existia na ilha de Circe, Ulisses chegou até o reino do deus Hades, que permitiu ao herói falar com Tirésias.

Ulisses aproveitou para rever sua mãe, que havia morrido de tristeza com sua partida, e os amigos que havia perdido na guerra de Tróia. Sua mãe, relatou-lhe como tinha morrido e fez um triste relato do estado lamentável de seu pai Laerte e os bravos esforços de Penélope para repelir seus pretendentes.

O adivinho disse que Ulisses chegaria sozinho a Ítaca, sua pátria, e que seria levado até lá em um barco de outro povo. Quando chegasse, teria que expulsar os pretendentes de Penélope, pois sua longa ausência fez com que seu povo achasse que ele havia morrido e, naquela época, quando um rei morria, a rainha deveria se casar novamente.

Tirésias ainda disse que teria que acertar contas com Posêidon para que ele perdoasse o que fez a Polifemo.

Ulisses voltou para o mundo dos vivos, reuniu seus homens e partiu. Mas ele não sabia se deveria se sentir triste ou alegre, pois ao mesmo tempo em que estava feliz por saber que voltaria à sua pátria, sabia que perderia seu barco e seus amigos.




O ENCANTO DAS SEREIAS

Ulisses fora avisado por Circe que em seu caminho de volta teria que passar por uma ilha onde viviam as sereias. Sabendo que o canto delas enfeitiçava os homens e os atraía para as pedras, afundando, assim, os barcos, Ulisses pediu aos seus companheiros que tampassem os ouvidos com cera de abelha para não ouvirem o canto maravilhoso.

Como Ulisses estava curioso para ouvi-lo, pediu a eles que o amarrassem no mastro principal, mas sem tampar seus ouvidos. Feito isso, passou com seu barco ao lado das sereias. Enquanto os homens remavam o mais rápido que podiam para não ouvir as vozes que enfeitiçavam, Ulisses se debatia desesperadamente querendo se soltar e ir ao encontro das sereias.

Felizmente as cordas eram bem fortes e conseguiram segurar o herói. Continuando a viagem, Ulisses encontrou os rochedos que se moviam e fechavam de repente para esmagar os barcos durante sua travessia, só que eles não ofereciam mais perigo, pois quando Jasão e os Argonautas conseguiram passar por eles sem serem destruídos eles se tornaram rochas normais.




O ESTREITO DE CILA E CARÍBDE

A próxima tarefa enfrentada por Ulisses foi navegar os dois locais mais perigosos de Cila e Caríbde.

Conta a lenda que Caríbde era filha de Netuno e da Terra e, por ter roubado bois que pertenciam a Hércules, foi fulminada por Júpiter e transformada em sorvedouro marinho.

Ela uniu-se a Cila que era uma ninfa de grande beleza, filha de Forco e de Hécate. Glauco, o deus marinho, apaixonou-se pela jovem Cila, mas esta desprezou seu amor, o que o fez recorrer as artes mágicas de Circe. A feiticeira, que por sua vez amava Glauco, fingiu ajudá-lo e derramou sucos de ervas mágicas, de maléficos poderes, nas águas em que a ninfa costumava banhar-se.

Sob o poder das plantas, Cila transformou-se em um monstro horrendo, e mesmo assim Glauco não se uniu a Circe, pois ficou horrorizado com a sua feitiçaria. Foi lamentável, mas o deus marinho perdeu a ninfa Cila, que permaneceu para sempre na água ao lado de Caríbde, o sorvedouro.

Cila ocultava-se numa caverna localizada no alto de um rochedo, disfarçada pela névoa e vapor de água dos vagalhões abaixo; sua aparência era horrenda: na parte de cima parecia com uma mulher e na parte de baixo possuía doze pés que balançavam no ar e seis pescoços, cada um equipado com uma monstruosa cabeça com três fileiras de dentes. Da sua caverna exigia uma taxa de vítimas humanas dos barcos que passavam abaixo.

Ulisses, alertado por Circe, decidiu não contar a seus marinheiros sobre Cila, que era um monstro que atacavam os marujos. Mesmo passando rapidamente, o monstro prendeu um homem e danificou o barco.

No final do estreito ficava Caríbde, um monstro que morava no fundo do mar e que três vezes por dia tragava água, formando um enorme redemoinho e engolindo tudo o que estava por perto. Para azar de Ulisses, o monstro sugou o barco e por pouco ele próprio não foi junto, conseguindo se salvar segurando num tronco de árvore, no qual ficou pendurado por várias horas, até o redemoinho acabar. Exausto, Ulisses se agarrou a uns pedaços de madeira que sobraram do barco e ficou boiando sem destino. Ao final, Ulisses conseguiu escapar e teve sucesso em arrebatar seis vítimas.



A ILHA DE CALIPSO

Calipso tornou Ulisses seu amante e ficou com ele por sete anos. A deusa Athena acabou enviando Hermes, mensageiro dos deuses, para explicar à ninfa que era chegada a hora de deixar seu visitante seguir seu caminho.

Calipso, apesar de relutante em perdê-lo, sabia que deveria obedecer, assim forneceu a Ulisses material para a confecção de uma jangada, deu-lhe comida e bebida e invocou um vento suave para levá-lo de volta a Ítaca.

Sem incidentes, aproximou-se da terra dos Faécios, grandes marinheiros que estavam destinados a levá-lo na última etapa de sua viagem.

Mas então Posêidon interveio: detestava Ulisses pelo que tinha causado a seu filho, o Ciclope Polifemo, e agora estava irado por vê-lo tão próximo do fim de sua jornada. Enviou outra tempestade, que partiu o mastro da jangada e a deixou ser levada pelo vento.

Ulisses foi salvo da morte certa pela intervenção da ninfa marinha Ino. Ela deu-lhe seu véu, instruindo-o a atá-lo ao redor da cintura e então a abandonar o barco e se dirigir para a praia. Como uma grande onda despedaçou sua jangada, Ulisses fez o que tinha lhe sido dito. Por dois dias e duas noites nadou em frente, mas no terceiro dia alcançou as praias de Faécia e acabou conseguindo chegar à costa rochosa na foz de um rio.

Atirou o véu de Ino de volta ao mar e deitou-se numa moita espessa para dormir.
“Em Ogigia, ilha de Calipso, Ulisses desobriu que é melhor ficar a vida toda procurando por sua esposa amada do que desfrutar de uma vida cheia de conforto ao lado de uma pessoa que não ama.”




A ILHA DE FAÉCIA

Inspirada por Athena, a princesa Faeciana Nausícaa havia escolhido aquele mesmo dia para uma ida à foz do rio para lavar roupas nas fundas lagoas que lá existiam. Quando ela e suas criadas terminaram a lavagem e espalharam as roupas sobre os seixos, brincaram com uma bola enquanto esperavam que as roupas secassem.

Nausícaa atirou a bola para uma das criadas, esta não conseguiu segurar e acabou caindo no rio; todas as moças gritaram alto e Ulisses acordou de seu sono, imaginando em que terra selvagem tinha chegado agora. Dirigiu-se a Nausícaa numa súplica, pedindo-lhe para mostrar o caminho para a cidade.

Ela deu-lhe comida e bebida, e ele a acompanhou juntamente com as outras moças de volta aos arredores da cidade. A princesa deixou Ulisses no centro da cidade e sugeriu que fosse direto à casa de seu pai Alcínoo e caísse aos pés de sua mãe Arete com uma súplica.

Guiado pela própria Athena, Ulisses chegou ao esplêndido palácio de Alcínoo. Havia paredes de bronze e portões de ouro, guardados por cães de guarda de ouro e prata. Dentro do palácio, a luz era fornecida por estátuas de ouro maciço mostrando jovens portando tochas. Dentro do pátio havia um lindo jardim e horta, com árvores frutíferas, vinhas e uma bem aguada cobertura vegetal. Após ter admirado tudo isso, Ulisses entrou e caminhou diretamente em direção à rainha Arete, os Faécios escutaram com espanto sua petição: pediu abrigo e para ser transportado para sua terra natal.

Quando se recobrou de sua surpresa inicial, Alcínoo foi generoso na sua reação. Polidamente, evitou questionar seu hóspede imediatamente, arranjou-lhe um descanso imediato, prometendo que pela manhã medidas seriam tomadas para retorná-lo a sua terra. Quando os outros Faécios se retiraram e Ulisses ficou a sós com Alcínoo, Arete perguntou-lhe quem era. Ulisses, então, contou a estória de suas aventuras desde que tinha deixado a ilha de Ogigia, explicando como tinha encontrado Nausícaa na foz do rio. Enquanto isso, Arete arranjou que um leito fosse arrumado e Ulisses ficou grato em se retirar.

No dia seguinte um barco foi emparelhado para transportar Ulisses de volta à sua casa, mas antes de partir, o hospitaleiro Alcínoo insistiu em festejar seu hóspede e regalá-lo com esportes e outros entretenimentos. Alcínoo pediu a Ulisses que lhes contasse quem era, de onde vinha e para onde desejava ser transportado. Ulisses diz que não pode pronunciar seu nome, que há muito tempo foi amaldiçoado e que se o disser somente causará dor àqueles que o acolheram. Então o rei diz que só conhece um herói perdido e, mesmo amaldiçoado pelos deuses, sobreviveu. Ulisses diz a Alcínoo seu nome e o rei sente-se honrado em ter a presença do herói em seu reino.

Na manhã seguinte Ulisses despediu-se finalmente de seus anfitriões e um rápido barco Faeciano o conduziu sem incidentes a Ítaca. Ulisses dormiu quando o barco percorria sua rota, e estava ainda adormecido quando a tripulação o colocou, juntamente com os presentes recebidos dos Faécios, na praia de Ítaca, ao lado de uma maravilhosa caverna, morada das ninfas.

Quando Ulisses acordou não conseguiu reconhecer o local, em grande parte porque Athena tinha lançado uma névoa sobre a ilha, para lhe dar tempo de encontrar Ulisses e lhe arranjar um disfarce adequado. Como estava nervosamente se perguntando onde os traiçoeiros Faécios o tinham desembarcado, Athena apareceu na forma de um pastor e, em resposta às suas perguntas, contou-lhe que estava realmente em Ítaca. O cansado Ulisses contou a deusa uma história sobre ser um exilado cretense; ela sorriu diante de sua inteligência e em resposta revelou sua verdadeira identidade, reafirmando-lhe que estava realmente em Ítaca, e o aconselhou como deveria proceder para reconquistar sua esposa e reino.

Quando Ulisses reconhece seu erro e aprende que é apenas um homem, consegue finalmente voltar à sua ilha de Ítaca.




RETORNO A ÍTACA

Nos vinte anos que Ulisses esteve fora de casa, a maioria do povo de Ítaca, fora sua esposa Penélope, seu filho Telêmaco e uns poucos amigos fiéis, acreditava que estava morto, que tinha morrido em Tróia ou na sua viagem de volta. Como Penélope não era apenas bonita e completa, mas também rica e poderosa, sendo que o homem que casasse com ela herdaria a riqueza e a posição de Ulisses, estava sendo acossada por pretendentes jovens e nobres que permaneciam no palácio de seu marido, comendo e bebendo suas provisões e forçando suas atenções indesejadas sobre ela.


Pelo período que pode, Penélope ganhou tempo, convencendo cada um que havia base para esperança, mas não dizendo nada definitivo a qualquer um deles. Por três anos os enganou, dizendo que estava tecendo um manto para Ulisses; seria inadmissível que ele morresse sem que tivesse uma mortalha pronta; portanto deveriam aguardar sua decisão até que tivesse terminado sua tarefa.

Todos os dias trabalhava no tear, mas à noite desfazia seu trabalho sob luz de tochas. No início do quarto ano, entretanto, foi traída por uma de suas criadas, que ajudou seus pretendentes a pegá-la no seu artifício.


Pouco antes da chegada de Ulisses em Ítaca, Athena inspirou Telêmaco, agora já homem feito, para desempenhar um papel ativo no retorno de seu pai, a fazer uma jornada com o objetivo de descobrir o que lhe tinha acontecido. O jovem se dirigiu ao magnificente palácio de Menelau, em Esparta. O rei o tratou com grande bondade, e explicou como tinha ficado sabendo de um Velho Homem do Mar que Ulisses havia morrido.


A CHEGADA DE ULISSES

Os feácios levaram Ulisses até Ítaca, como haviam prometido. Antes de ir para o palácio, ele passou na casa de um velho amigo chamado Eumeu, que o reconheceu e contou tudo o que havia acontecido em sua ausência. Ulisses também reencontrou Telêmaco, seu filho, que ele tinha visto apenas no dia do nascimento.

Atena apareceu e disse para Ulisses não se apresentar como ele mesmo. Com um rápido gesto, transformou o herói em um velho mendigo e disse que ele voltaria a ser o que era no momento certo.

Assim disfarçado, Ulisses foi para o palácio, onde foi ignorado pelos pretendentes, mas recebido com hospitalidade pelos criados, que sempre tratavam bem os viajantes. Nem mesmo Penélope reconheceu Ulisses, que só foi reconhecido por uma criada, que viu a cicatriz que ele tinha na perna, e pelo seu cachorro que se chamava Argo.


O GRANDE DESAFIO
Ulisses pediu a Telêmaco para dizer à sua mãe que marcasse para o dia seguinte a escolha do pretendente. Seria escolhido aquele que conseguisse armar o arco de Ulisses e atirar uma flecha pelo buraco do cabo de doze machados.

Nenhum dos pretendentes conseguiu sequer colocar a corda no arco. Ulisses, ainda disfarçado, pediu para tentar. Todos riram do mendigo e entregaram o arco a ele. Rapidamente Ulisses armou o arco, atirou uma flecha pelos buracos dos machados e foi transformado novamente em herói.

Todos ficaram espantados. Com um sinal de Ulisses, Telêmaco fechou as portas da sala e os dois lutaram contra todos os pretendentes, que levaram a maior surra.



O AMOR DE PENÉLOPE
Durante o período de vinte anos que Ulisses esteve fora, Penélope nunca perdeu as esperanças de reencontrá-lo. Ulisses também sabia que mesmo tendo que enfrentar todos os perigos, chegaria o dia em que se juntaria à sua família.

Agora Ulisses tinha seu reino e as pessoas de que gostava ao seu lado. Tinha muito trabalho pela frente, pois durante anos os pretendentes de Penélope viveram em seu palácio e destruíram muito do que ele havia construído.

Além disso, os parentes dos pretendentes queriam se vingar do herói, mas a deusa Atena apareceu e fez com que a paz reinasse entre todos. Para completar sua felicidade, Ulisses trouxe de volta ao palácio seu pai, Laertes, que havia mudado para o campo para não ter que conviver com os pretendentes.

Ulisses ainda tinha um trabalho a fazer: para que Posêidon o perdoasse, o herói foi até a ilha de Épiros, onde ofereceu um boi ao deus e teve o perdão que mereceu.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

CENTAURO

Os centauros formam uma classe de monstros da mitologia grega que possuem o corpo metade humano, metade cavalo. Segundo a concepção do pensamento mítico grego, o cavalo possuía uma série de virtudes admiráveis e, por isso, a sua mistura com os homens não ira vista como algo negativo. Diversas narrativas mitológicas contam sobre o relacionamento entre os homens e os centauros, o que conferia a esse monstro a capacidade de socialização.

A origem dos centauros tem a ver com uma contenda ocorrida entre os deuses olímpicos Íxion, Hera e Zeus. Certa vez, Íxion se apaixonou pela deusa Hera, esposa de Zeus, e por isso tentou estuprá-la. Incomodada com o ocorrido, ela contou a Zeus sobre o comportamento de Íxion esperando que alguma providência fosse tomada. Procurando averiguar o relato da esposa, Zeus esculpiu com nuvens uma estátua de Hera e a colocou perto de Íxion para observar qual seria a sua reação.

Ao pensar que a estátua realmente fosse a deusa Hera, Íxion começou a se vangloriar por ter ultrajado uma divindade olímpica. Imediatamente, Zeus prendeu o perverso Íxion em uma roda de fogo que girava infinitamente e depois o lançou no Hades, que representava o inferno na mitologia grega. A nuvem que fora violentada por Íxion deu origem a Kentauros, que deu origem aos primeiros centauros após se enlaçar com algumas éguas magnesianas.
Outros relatos mitológicos contam que alguns centauros eram frutos do relacionamento das divindades. O centauro Quíron, por exemplo, era filho do deus Cronos e de Filira, filha do Oceano. Contrariando sua própria espécie, geralmente bastante impulsiva e violenta, Quíron teria, ao longo de sua vida, aprendido diversas habilidades ao ser educado pelos deuses Apolo e Diana. Entre outras habilidades este centauro teria profundo conhecimento sobre caça, medicina, botânica, música e futurologia.
Quando o herói Hércules se envolveu em uma batalha contra os centauros, acabou acidentalmente atingindo Quíron, que era grande amigo seu e havia repassado todos seus conhecimentos ao herói grego. Desesperado, Hércules tentou curar o centauro ferido com uma medicação ensinada pelo próprio Qíron. Contudo, infelizmente, não havia como evitar aquela terrível agonia.

Transtornado com as dores que sentia, Quíron pediu a Zeus que fosse sacrificado. Triste com a prece daquele admirável centauro, o deus supremo do Olimpo decidiu retirar a sua imortalidade e repassá-la a Prometeu. Para que Quíron jamais fosse esquecido, Zeus decidiu homenageá-lo nos céus, onde ficou sendo representado pela constelação de Sagitário.

Em uma outra situação Hércules se tornou amigo e matou acidentalmente o centauro Folo, quando o herói grego foi incumbido da missão de capturar vivo um terrível javali que aterrorizava os moradores da região de Erimanto.

Em sua passagem naquele lugar, Hércules foi acolhido por Folo que, tomando por imensa alegria, resolveu abrir um odre de vinho em homenagem a seu amigo humano. No meio tempo em que os amigos desfrutavam da bebida, os outros centauros que viviam na região sentiram o agradável odor do vinho e, por isso, tentaram invadir a residência de Folo e tomar seu estoque de vinho.

Atordoado com a invasão, Hércules se armou com seu arco e aniquilou com todos os centauros invasores. Contudo, na pressa de se safar daquelas terríveis criaturas, acabou acertando acidentalmente o seu amigo.
A mais famosa lenda grega sobre os centauros conta sobre a batalha dos Lápitas e Centauros. Conforme o relato, Enomau, o rei de Pisa, era pai de uma bela princesa chamada Hipodamia, a quem havia prometido sua mão em casamento para aquele que conseguisse derrotá-lo em uma corrida de carros.

Após vencer e matar vários oponentes, o rei foi trapaceado por Pirítoo, que conseguiu vencer a corrida após o cocheiro Mirtilo ter danificado as rodas do carro real.

Na organização da festa de casamento, vários centauros foram convidados para participar do evento que consagraria a união entre Pirítoo e a belíssima princesa Hipodamia. Contudo, durante a celebração, o centauro Eurítion ficou embriagado e tentou violentar a princesa.

Seguidamente, outros centauros também tentaram fazer o mesmo, dando início a um grande conflito contra os humanos. As criaturas que sobreviveram ao conflito saíram em debandada da região da Tessália.

Na interpretação das alegorias mitológicas, o centauro tem a importante capacidade de salientar o conflito entre a razão e a emoção. Sendo a parte superior de seu corpo humana, teria a capacidade de refletir sobre os seus atos. Em oposição a essa característica racional, a parte inferior de seu corpo representaria a violência física e os impulsos sexuais.

ÉRIS




ÉRIS é a deusa que personifica a discórdia na mitologia grega. Corresponde à deusa romana Discórdia. Seu oposto é a Harmonia, correspondente à Concórdia romana. Hesíodo aponta Éris como a filha primogênita de Nix, a Noite, e mãe da Dor (Algea), da Fome (Limos), da Desordem (Dysnomia) e de outros flagelos.


A lenda mais famosa referente a Éris relata o seu papel ao provocar a Guerra de Tróia. As deusas Hera , Atena e Afrodite haviam sido convidadas, juntamente com o restante do Olimpo, para o casamento forçado de Peleu e Tétis, que viriam a ser os pais de Aquiles, mas Éris fora desdenhada por conta de seu temperamento controvertido - a discórdia, naturalmente, não era bem-vinda ao casamento. Mesmo assim, compareceu aos festejos e lançou no meio dos presentes o Pomo da Discórdia.

CIRCE


Circe ou Kírkē (falcão em grego) - era uma deusa grega cuja característica principal era a capacidade para a ciência da feitiçaria. Filha da deusa Hécate, era capaz de criar filtros e venenos que transformavam homens em animais. Por esse motivo morava num palácio encantado, cercado por lobos e leões (seres humanos enfeitiçados). Crê-se que essa ilha se encontra no que é hoje o monte Circeu.
Existe, igualmente, a versão de que é filha de Hélios com a oceânide Perséia. Perséia também pode significar Hécate, filha de Perses ("destruição"). Circe, figura mítica, é retratada como filha de Hélio, deus-sol e da deusa Hécate. Por ter envenenado seu marido, o rei dos sármatas, que morava no Cáucaso, foi obrigada a exilar-se na ilha de Ea ou Eana, localizada no litoral oeste da Itália. O nome da ilha "Ea" ou "Eana" é traduzido como "prantear" e dela emanava uma luz tênue e fúnebre. Essa luz identificava Circe como a "deusa da Morte horrenda e de terror".
Circe era também associada aos vôos mortais dos falcões, pois, assim como estes, ela rodeava suas vítimas para depois enfeitiçá-las. O grito do falcão é "circ-circ" e é considerado a canção mágica de Circe, que controla tanto a criação quanto a dissolução. Sua identificação com os pássaros é importante, pois eles têm a capacidade de viajar livremente entre os reinos do céu e da terra, possuidores dos segredos mais ocultos, mensageiros angélicos e portadores do espírito e da alma.
Escritores gregos antigos a citavam como "Circe das Madeixas Trançadas", pois podia manipular as forças da criação e destruição através de nós e tranças em seus cabelos. Como o círculo, ela era também a tecelã dos destinos.
Era considerada a Deusa da Lua Nova, do amor físico, feitiçaria, encantamentos, sonhos precognitivos, maldições, vinganças, magia negra, bruxaria, caldeirões. Com o auxílio de sua varinha, poções, ervas e feitiços, transformava homens em animais, fazia florestas se moverem e o dia virar noite.

DEMÉTER


Deméter "deusa mãe" ou talvez "mãe da distribuição" é o nome de Ceres na mitologia romana. Uma das doze divindades do Olimpo, é filha de Cronos (Saturno) e Réia (Cibele) e deusa da terra cultivada, das colheitas e das estações do ano. É propiciadora do trigo, planta símbolo da civilização. Na qualidade de deusa da agricultura, fez várias e longas viagens com Dionísio ensinando os homens a cuidarem da terra e das plantações.
Em Roma, onde se chamava Ceres, seu festival era chamado Cerélia e celebrado na primavera.
Quando Hades raptou Perséfone e a levou para seu reino subterrâneo, Deméter ficou desesperada, saiu como louca Terra afora sem comer e nem descansar. Decidiu não voltar para o Olimpo enquanto sua filha não lhe fosse devolvida, e culpando a terra por ter aberto a passagem para Hades levar sua amada filha, ela disse: "– Ingrato solo, que tornei fértil e cobri de ervas e grãos nutritivos, não mais gozará de meus favores! "
Durante o tempo em que Deméter ficou fora do Olimpo a terra tornou-se estéril, o gado morreu, o arado quebrou, os grãos não germinaram. Sem comida a população sofria de fome e doenças. A fonte Aretusa então contou que a terra abriu-se de má vontade, obedecendo às ordens de Hades e que Perséfone estava no Érebo, triste mas com pose de rainha, como esposa do monarca do mundo dos mortos.
Durante o tempo em que Deméter ficou fora do Olimpo a terra tornou-se estéril, o gado morreu, o arado quebrou, os grãos não germinaram. Sem comida a população sofria de fome e doenças. A fonte Aretusa então contou que a terra abriu-se de má vontade, obedecendo às ordens de Hades e que Perséfone estava no Érebo, triste mas com pose de rainha, como esposa do monarca do mundo dos mortos. Com isso, ficou estabelecido que Perséfone passaria um período do ano com a mãe, e outro com Hades, quando é chamada Proserpina.
O primeiro período corresponde à primavera, em que os grãos brotam, saindo da terra assim como Proserpina. Neste período Perséfone é chamada Core, a moça. O segundo é o da semeadura de outono, quando os grãos são enterrados, da mesma forma que Perséfone volta a ser Proserpina no reino do seu marido. Os Mistérios de Elêusis, celebrados no culto à deusa, na Grécia, interpretam essa lenda como um símbolo contínuo de morte e ressurreição.

TÂNATOS

Tânatos era a personificação da morte, enquanto Hades reinava sobre os mortos no mundo inferior. Assim como Hades para os gregos tem uma versão romana (Plutão), Tânatos também tem a sua: Orco (Orcus em latim) ou ainda Morte (Mors). Era conhecido por ter o coração de ferro e as entranhas de bronze. Diz-se que Tânatos nasceu em 21 de agosto sendo a sua data de anos o dia favorito para tirar vidas. Tânatos era filho de Nix, a noite, e Érebo, a noite eterna do Hades. Era irmão gêmeo de Hipnos, o deus do sono e era representado como uma nuvem prateada ou um homem de olhos e cabelos prateados. Tânatos tem um pequeno papel na mitologia, sendo eclipsado por Hades. Tânatos habitaria os campos elísios junto com seu irmão Hipnos.

MEDÉIA

Segundo a lenda grega, a feiticeira Medéia ajudou Jasão, líder dos argonautas, a obter o velocino de ouro. O mito é conhecido pelas versões literárias que lhe deram Eurípides, Ésquilo, Ovídio e Sêneca. Medéia era filha de Eetes, rei da Cólquida. Eetes possuía o velocino de ouro, que Jasão e os argonautas buscavam, e o mantinha guardado por um dragão.


A maga Medéia apaixonou-se por Jasão e, depois de ajudá-lo a realizar sua missão, seguiu com o grupo para a pátria de Jasão, Jolcos, na Tessália. Mais tarde, Jasão apaixonou-se por Glauce e abandonou Medéia. Inconformada, ela estrangulou os filhos que tivera com Jasão e presenteou a rival com um manto mágico que se incendiou ao ser vestido, matando-a.


Medéia casou-se, depois, com o rei Egeu, de quem teve um filho, Medos. Por ter, porém, conspirado contra a vida de Teseu, filho de Egeu, foi obrigada a refugiar-se em Atenas. Medéia foi honrada como deusa em Corinto e sobretudo na Tessália.



Sua lenda serviu de tema a obras artísticas e literárias de todos os tempos, das quais a mais conhecida é a tragédia Medéia, de Eurípedes.

JASÃO


Entre os heróis da mitologia grega, a figura de Jasão, ao mesmo tempo valente e volúvel, é das que apresentam maior ambigüidade. Jasão era filho de Esão, rei de Iolco, na Tessália. Pélias, irmão de Esão, privou o rei de seu trono e Jasão, ainda menino, foi educado longe da corte pelo Centauro Quíron (Quirão).
Existem duas versões sobre sua mãe: ela pode ter sido Alcimede, uma neta de Mínias, ou Polimede, filha de Autólico. Foi despojado do trono paterno por seu tio Telias ou Pélias. Aos vinte anos, Jasão retornou a Iolco para clamar o trono. Pélias prometeu concedê-lo, com uma condição.
Temendo a profecia de que seria morto por Jasão, o rei Pélias envia o herói, como condição para lhe restituir o trono, para uma missão impossível: trazer o Tosão de ouro, guardado por Eetes, rei da distante Cólquida e protegido por um dragão.

Embora a missão fosse considerada impossível, Jasão aceitou-a. Construiu então um navio, o Argos, com mastro feito de um dos carvalhos de Dodona, lugar vizinho ao templo de Júpiter, cujas árvores eram oráculos, e embarcou com um grupo de heróis, os "argonautas". Entre eles encontravam-se Hércules, Cástor e Pólux, Orfeu e muitos outros.

Depois de numerosas peripécias, Jasão chegou à Cólquida e, com a ajuda da maga Medéia, filha do rei, conseguiu apoderar-se do tosão. Jasão casou-se, então, com Medéia e, depois de uma longa viagem, ambos aportaram em Iolco. Medéia conseguiu com suas artes a morte de Pélias e fugiu com o marido para Corinto, onde viveram dez anos e tiveram filhos.
Após várias aventuras, inclusive a primeira passagem pelas Simplégadas (o Bósforo), os argonautas chegam à Cólquida, pensando estar em alguma parte no fim do mar Negro. O rei Eetes da Cólquida exige que Jasão cumpra várias tarefas para obter o Tosão, inclusive arar um campo com touros que cospem fogo, semear os dentes de um dragão, lutar com o exército que brota dos dentes semeados e, por fim, passar pelo dragão que guarda o próprio Tosão.
Com o Tosão nas mãos, Jasão foge com Medéia, filha de Eetes, e enfrenta várias aventuras na volta para casa. Medéia trama a morte do rei Pélias, cumprindo a antiga profecia.
Depois, retirou-se para Corinto e repudiou Medéia para desposar Creúsa, filha de Creonte. Medéia, por vingança, matou Creúsa e, eu seu furor, mata também os próprios filhos que tivera de Jasão.
O final deste é incerto. Segundo algumas versões, enlouquecido de dor, suicidou-se; segundo outras, por castigo divino, por ter quebrado o juramento de fidelidade a Medéia, muitos anos depois, Jasão é morto por um pedaço de madeira da nau Arg.

ÍCARO

Ícaro ficou famoso pela história de sua morte por motivo nada comum, ao cair no Egeu quando a cera que segurava suas asas artificiais derreteu.

Ícaro era filho de
Dédalo, um dos homens mais criativos e habilidosos de Atenas.

Um dos maiores feitos de Dédalo foi o labirinto do palácio do rei Minos de Creta, para aprisionar o Minotauro.

Por ter ajudado Ariadne, a filha de Minos a fugir com Teseu, Dédalo provocou a ira do rei que, como punição, ordenou que Dédalo e seu filho fossem jogados no labirinto.

Dédalo sabia que sua prisão era intransponível, e que Minos controlava mar e terra, sendo impossível escapar por estes meios. "Minos controla a terra e o mar", teria dito Dédalo, "mas não as regiões do ar. Tentarei este meio".


Dédalo projetou asas, juntando penas de aves de vários tamanhos, amarrando-as com fios e fixando-as com cera, para que não se descolassem. Foi moldando com as mãos e com ajuda de Ícaro, de forma que as asas se tornassem perfeitas como as das aves.

Estando o trabalho pronto, o artista, agitando suas asas, se viu suspenso no ar, Dédalo equipou seu filho e o ensinou a voar.


Então, antes do vôo final, advertiu Ícaro de que deveriam voar a uma altura média, nem tão próximo ao Sol, para que o calor não derretesse a cera que colava as penas, nem tão baixo, para que o mar não pudesse molhá-las.

Dédalo levantou voo e foi seguido por Ícaro. Eles primeiramente se sentiram como deuses que haviam dominado o ar. Passaram por Samos, Delos e Lebinto.

Ícaro deslumbrou-se com a bela imagem do Sol e, sentindo-se atraído, voou em sua direção esquecendo-se das orientações de seu pai, talvez inebriado pela sensação de liberdade e poder.


A cera de suas asas começou rapidamente a derreter e logo caiu no mar.

Quando Dédalo notou que seu filho não o acompanhava mais, gritou: "Ícaro, Ícaro, onde você está?".


Logo depois, viu as penas das asas de Ícaro flutuando no mar. Lamentando suas próprias habilidades, enterrou o corpo de Ícaro em uma ilha e chamou-a de Icaria em memória a seu filho.

Depois chegou seguro à Sicília, onde construiu um templo a Apolo, deixando suas asas como oferenda.



Outra lenda de Ícaro, com o nome de Icáro:


Icáro era filho de Dedálo e de uma escrava de Minos, Náucrate. Por parte de seu pai, Icáro descende do próprio Zeus, uma vez que Dedálo era filho de Alcipe, que era filha de Ares, que por sua vez era filho de Zeus e Hera.

Dedálo, exilado por ter matado seu sobrinho Talo, refugiou-se em Tebas, junto ao rei Minos. Após o nascimento do Minotauro, fruto dos amores entre Pasífae e um touro divino, Dédalo foi incumbido de construir um labirinto, no qual encerrou o monstro metade homem e metade touro.

Tempos depois, o minotauro foi morto por Teseu.

Após a morte do Minotauro, Dedálo foi preso, juntamente com seu filho, no labirinto que ele mesmo havia construído.

No labirinto, Dédalo, com suas habilidades de inventor, elaborou um plano para fugir juntamente com seu filho Icáro. Ele constuiu asas artificiais a partir da cera do mel de abelhas e asas de gaivota. Antes, porém, alertou ao filho que não voasse muito perto do sol, para que esse não pudesse derreter a cera das asas, e nem muito perto do mar, pois esse poderia deixar as asas mais pesadas.

No entanto Icáro não ouviu os conselhos do pai e querendo realizar o sonho de voar proximo ao sol, acabou despencando e caindo no mar Egeu, enquanto seu pai, aos prantos, voava para a costa. Ao chegar a Sicília, foi acolhido na casa do Rei Cocálo.

EROS ou CUPIDO

Eros, Deus grego do amor, também conhecido como Cupido, Amor em latim, que apesar de sua excepcional beleza ser altamente valorizada pelos gregos, seu culto tinha modesta importância. Era filho de Afrodite e seu companheiro constante e com seu arco ele disparava flechas de amor nos corações dos deuses e dos humanos. Sua mãe havia sentido ciúme de Psiquê, cuja beleza causava tumulto por onde ela passasse. A deusa ordenou que ele fizesse com que Psiquê se apaixonasse por alguma pessoa de nível muito baixo.

Ele a encontrou enquanto ela dormia e, como acabou acordando-a ao tocá-la com uma de suas flechas, ficou tão maravilhado por sua beleza que, acidentalmente, aranhou a si mesmo com a flecha e se apaixonou por ela. Levou-a dali para bem longe, para um maravilhoso palácio e ia visitá-la todas as noites. Sem nenhuma ajuda visível, todos os desejos de Psiquê eram cumpridos.

Durante muito tempo, ela não havia olhado para o seu amado, pois este lhe tinha proibido de olhá-lo, uma vez que ele queria que o amasse, como humano, e não como um deus. Mas a curiosidade finalmente se apoderou dela e uma noite, enquanto ele dormia, ela ascendeu uma lâmpada e segurou-a por cima dele para vê-lo.

Mas uma gota de óleo quente caiu em seu peito que, sem pronunciar uma palavra, abriu suas belas asas e voou pela janela afora. O palácio e tudo o que ele continha desapareceu. Psiquê vagou dias e noites procurando-o, enquanto ele estava preso no quarto da mãe por causa de sua ferida.

Afrodite, irritada com Psiquê por ter conquistado seu filho, deu-lhe uma imensa punição. Recuperado ele dirigiu-se a Zeus e pediu o perdão para sua amada e que a casasse com ele, tornando-a imortal. Então Hermes foi enviado para apanhar Psiquê e levá-la ao Olimpo.

Quando ela lá chegou, Zeus deu-lhe um copo de néctar de ambrósia divina para beber, tornando-a assim imortal e unindo-os para sempre.



CRONOS


Cronos é um Deus grego, que corresponde ao Deus romano Saturno. Ele é representado como velho homem de cabelos brancos e barba longa. É o mais novo dos seis grandes Titãs. Cronos é filho de Urano e teve seis filhos com sua esposa-irmã Réia: Zeus , Deméter , Hades , Héstia , Poseidon e Hera. Era associado ao tempo pelos gregos. Cronos representa a passagem dos deuses antigos (ciclopes e titãs) para os deuses Olímpicos (assim chamados por serem aqueles que habitavam o monte Olimpo), liderados por seu filho Zeus. O mito diz que a esposa de Urano era Gaia (deusa da Terra) e que cada vez que Gaia tinha um filho, Urano o devolvia ao ventre de Gaia. Cansada disto, Gaia tramou com seu filho Cronos. Ela fez de seu próprio seio uma pedra em forma de lâmina e a deu para Cronos. Cronos esperou que Urano, seu pai, dormisse e o castrou. Atirou a genitália de Urano no mar, de onde brotou Afrodite, a deusa do amor.

MINOTAURO


O Minotauro (touro de Minos) é uma figura mitológica criada na Grécia Antiga. Com cabeça e cauda de touro num corpo de homem, este personagem povoou o imaginário dos gregos, levando medo e terror. De acordo com o mito, a criatura habitava um labirinto na Ilha de Creta que era governada pelo rei Minos.
Conta o mito que ele nasceu em função de um desrespeito de seu pai ao deus dos mares, Poseidon. O rei Minos, antes de tornar-se rei de Creta, havia feito um pedido ao deus para que ele se tornasse o rei. Poseidon aceita o pedido, porém pede em troca que Minos sacrificasse, em sua homenagem, um lindo touro branco que sairia do mar. Ao receber o animal, o rei ficou tão impressionado com sua beleza que resolveu sacrificar um outro touro em seu lugar, esperando que o deus não percebesse.
Muito bravo com a atitude do rei, Poseidon resolve castigar o mortal. Faz com que a esposa de Minos, Pasífae, se apaixonasse pelo touro. Isso não só aconteceu como também ela acabou ficando grávida do animal. Nasceu desta união o Minotauro. Desesperado e com muito medo, Minos solicitou a Dédalos que este construísse um labirinto gigante para prender a criatura.
O labirinto foi construído no subsolo do palácio de Minos, na cidade de Cnossos, em Creta. Após vencer e dominar, numa guerra, os atenienses , que haviam matado Androceu (filho de Minos), o rei de Creta ordenou que fossem enviados todo ano sete rapazes e sete moças de Atenas para serem devorados pelo Minotauro.
Após o terceiro ano de sacrifícios, o herói grego Teseu resolve apresentar-se voluntariamente para ir à Creta matar o Minotauro. Ao chegar na ilha, Ariadne (filha do rei Minos) apaixona-se pelo herói grego e resolve ajudá-lo, entregando-lhe um novelo de lã para que Teseu pudesse marcar o caminho na entrada e não se perder no grandioso e perigoso labirinto.
Tomando todo cuidado, Teseu escondeu-se entre as paredes do labirinto e atacou o monstro de surpresa. Usou uma espada mágica, que havia ganhado de presente de Ariadne, colocando fim aquela terrível criatura. O herói ajudou a salvar outros atenienses que ainda estavam vivos dentro do labirinto. Saíram do local seguindo o caminho deixado pelo novelo de lã.
O mito do Minotauro foi um dos mais contados na época da Grécia Antiga. Passou de geração em geração, principalmente de forma oral. Pais contavam para os filhos, filhos para os netos e assim por diante. Era uma maneira dos gregos ensinarem o que poderia aconteceu àqueles que desrespeitassem ou tentassem enganar os deuses.

MEDUSA


Medusa era portadora de extrema beleza juntamente com suas duas irmãs. Quando estava sentada num campo cercada de flores de Primavera, o deus do Oceano, Poseídon, une-se a ela e gera os seus dois únicos filhos, mas estes só nascem no momento da morte de Medusa. A vida das três irmãs, vidas debochadas e dissolutas, aborrecia os demais deuses, principalmente à deusa Afrodite.
Para castigá-las, Afrodite as transformou em monstros com serpentes em vez dos seus belos cabelos, presas pontiagudas, mãos de bronze, asas de ouro, e seu olhar petrificava quem olhasse diretamente em seus olhos. Temidas pelos homens e pelos deuses, as três habitavam o extremo Ocidente, junto ao país das Hespérides e vizinhas de Nix (a deusa da Noite).